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Na rotina do comércio exterior, classificar corretamente a origem de um produto é o que determina se a sua empresa vai ou não pagar o Imposto de Importação na alíquota cheia. 

O Certificado de Origem é a prova oficial de onde o seu produto vem e que permite o acesso às reduções ou isenções tarifárias estratégicas de forma segura. 

A seguir, você vai entender as regras sobre obrigatoriedade, os principais tipos de certificado e como uma gestão inteligente desse documento reduz riscos e otimiza o seu fluxo de caixa. 

O que é o Certificado de Origem?

O Certificado de Origem é o documento que comprova a nacionalidade de uma mercadoria. Logo, é responsável por informar em qual país o bem foi produzido ou se passou por transformação substancial. 

Com base nessa comprovação, o importador fica habilitado a requerer os benefícios previstos nos Acordos de Complementação Econômica (ACE), que estabelecem preferências tarifárias entre países signatários, como o ACE 18, que rege o comércio entre os membros do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), ou o ACE 14, entre Brasil e Argentina. .

A apresentação correta do certificado viabiliza a redução do Imposto de Importação (II) de forma estruturada, com impacto direto no desenvolvimento fiscal da operação. 

Sem o documento ou com informações inconsistentes, o importador perde o benefício e fica sujeito a responder por declaração incorreta perante a Receita Federal.

Quando o Certificado de Origem é obrigatório?

O Certificado de Origem não é exigido em todas as operações, mas é obrigatório em três situaçõe:

1. Uso de acordos comerciais preferenciais

É o cenário mais comum. Quando o Brasil possui um ACE, acordo de livre comércio ou união aduaneira com o país de destino, o certificado é o instrumento que habilita o importador a requerer a redução ou isenção do II. 

Sem ele, a mercadoria é taxada pela tarifa plena, independentemente do acordo vigente.

2. Controle de defesa comercial

Aduanas podem exigir a comprovação de origem para aplicar ou monitorar medidas antidumping, salvaguardas e cotas de importação, independentemente de qualquer benefício tarifário.

3. Exigência regulatória do país importador

Alguns países determinam, por legislação própria, a apresentação do documento como condição para o desembaraço aduaneiro, mesmo quando não há preferência tarifária envolvida.

A verificação, portanto, precisa considerar o NCM da mercadoria, o país de destino e a existência de acordos bilaterais aplicáveis. 

A consequência de não apresentar o certificado quando exigido vai além da perda do benefício.

Nos termos do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), a declaração incorreta pode configurar infração aduaneira, sujeitando o importador ao recolhimento retroativo do II acrescido de multa.

Quais são os principais tipos de Certificado de Origem?

O Brasil opera sob diferentes acordos comerciais, cada um com seu modelo de certificado. Os três mais relevantes para o comércio exterior brasileiro são:

  • Certificado de Origem Mercosul: utilizado nas operações entre os países do bloco (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), com base nos ACEs firmados no âmbito da ALADI;
  • ALADI (Associação Latino-Americana de Integração): cobre operações com países membros fora do Mercosul, como Chile, México, Colômbia e Peru, entre outros. Atualmente, a ALADI reúne 13 países membros com acordos de preferências tarifárias ativas;
  • Form A (Sistema Geral de Preferências — SGP): aplicado em exportações de países em desenvolvimento para nações que concedem preferências unilaterais, como União Europeia e Japão.

Além desses, acordos bilaterais como o ACE 53 (com a Índia) e o ACE 58 possuem certificados e regras de origem próprias.

É preciso destacar que em operações dentro do Mercosul, a autocertificação de origem passou a ser aceita em substituição ao modelo emitido por terceiros, reduzindo a burocracia para empresas habilitadas. 

A validade do documento varia conforme o acordo, geralmente entre 60 e 180 dias a partir da data de emissão, e o documento deve ser compatível com os dados da fatura comercial (invoice). 

Como emitir o Certificado de Origem?

O processo de emissão segue o fluxo definido pela regulamentação federal. 

O exportador ou produtor elabora a declaração de origem, incluindo a Declaração do Processo Produtivo (DPP), que descreve insumos, NCMs e o critério de origem cumprido e submete o pedido a uma entidade emissora credenciada pela SECEX/MDIC, como federações estaduais da indústria (FIESP, FIRJAN) e associações comerciais habilitadas.

A maior fragilidade operacional está na validação manual dos NCMs e regras de origem

Soluções com automação e verificação parametrizada eliminam essa dependência de checagens manuais, garantindo compliance fiscal na emissão e rastreabilidade ao longo da cadeia.

O Certificado de Origem é importante para os Regimes Aduaneiros Especiais?

A gestão isolada do certificado de origem não captura todo o potencial competitivo disponível. Quando integrada aos Regimes Aduaneiros Especiais, a correta comprovação de origem passa a ter impacto direto sobre o resultado tributário da empresa.

No Drawback, por exemplo, a combinação com um Certificado de Origem gerado corretamente, fortalece o controle sobre a cadeia de insumos e a comprovação exigida pelo regime. 

Já no Ex-Tarifário, a correta identificação do NCM, necessária para a emissão do certificado, é o mesmo elemento que determina se o bem de capital é elegível ao benefício de alíquota zero.

Quando gerenciado com precisão, ele define se a empresa paga ou não tributos em cada importação e se está exposta a autuações por declaração incorreta. 

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Dúvidas frequentes sobre o Certificado de Origem:

Quem é o responsável por emitir o Certificado de Origem?

A emissão é responsabilidade do produtor ou exportador da mercadoria. A validação é feita por entidades delegadas pelo Governo Federal, vinculadas ao MDIC/Camex, como federações estaduais da indústria (FIESP, FIRJAN, entre outras) e associações comerciais credenciadas.

A validade é, em geral, de 180 dias a partir da data de emissão, mas pode variar conforme o acordo comercial aplicável. O documento deve ser emitido antes ou na mesma data do embarque da mercadoria.

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